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Lula tenta ganhar terreno na oposição e investe em acenos a governadores

Por Redação em 25/02/2024 às 09:31:11
Oito líderes de Executivos estaduais que não caminharam com o petista nas eleições j√° apostam em aproximação estratégica com o presidente

O presidente Luiz In√°cio Lula da Silva (PT) tem acentuado o movimento para se aproximar de governadores de oposição, dos quais também vem recebendo acenos. Ao menos oito dos 15 chefes de Executivos estaduais que foram contra a eleição do petista em 2022 j√° fizeram gestos públicos de abertura para di√°logo. A estratégia leva em conta potenciais ganhos de ambos os lados: enquanto Lula busca ampliar espaço em √°reas em que foi derrotado, os gestores locais t√™m no estreitamento de laços com o Pal√°cio do Planalto uma via para receber recursos para a realização de obras.

Dos oito governadores de oposição que trocaram acenos com Lula, seis administram estados nos quais o petista foi derrotado no segundo turno de 2022. As exceções são Amazonas e Minas, onde o presidente ganhou por uma margem estreita em relação a Jair Bolsonaro. O atual mandat√°rio conta como ativos a m√°quina pública e, principalmente, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com previsão de investimentos de R$ 240 bilhões.

Do outro lado, Bolsonaro tenta minimizar essa investida de Lula e manter sua base aglutinada, ainda que esteja inelegível por oito anos. O ex-presidente usa como trunfo a maior bancada de parlamentares na Câmara e a segunda maior do Senado, além do cofre robusto do seu partido, o PL, para tentar triplicar o número de prefeitos no país nas eleições deste ano.

Bônus eleitorais
Para Lula, angariar o apoio dos governadores facilita o desenvolvimento de projetos nos estados, com bônus eleitorais para os dois lados, e até a governabilidade no Congresso. Ao posar ao lado de advers√°rios políticos, também tenta buscar a imagem de união nacional, um dos eixos de comunicação do governo, especialmente com o avanço das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.




— Se alguns desses governadores, por reconhecerem o trabalho feito, quiserem caminhar junto, serão sempre bem recebidos. Existem v√°rios deles que não são nossos apoiadores e que t√™m uma postura republicana, democr√°tica e também racional, que é não ficar o tempo todo jogando pedra — resume o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) acrescenta que Lula não faz "distinção no trato com governadores". Um dos lances neste xadrez por apoio é o ato convocado por Bolsonaro para hoje, em que ao menos tr√™s governadores estão confirmados: Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goi√°s; e Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina. Nesses tr√™s estados, Bolsonaro derrotou Lula no segundo turno das eleições de 2022.

Presente na manifestação que servir√° de palanque à oposição, Caiado pontua que também não haver√° distanciamento em relação ao Pal√°cio do Planalto.

— J√° ouvi do próprio presidente Lula, em eventos com os governadores dos quais eu participei, que ele não vai governar discriminando quem quer que seja pelas suas posições políticas e ideológicas. Sendo assim, posso garantir que não haver√° nenhuma discriminação — diz o governador de Goi√°s.

No mesmo vaivém, Tarcísio recebeu afagos recentes de Lula, que concordou em dividir com o governo de São Paulo a construção de um túnel ligando Santos ao Guaruj√°, no litoral paulista. O petista chegou a defender o governador de vaias durante o evento, mas recebeu críticas de bolsonaristas após o gesto. "Lula deve ter uma inveja danada de Tarcísio ser Bolsonaro", escreveu o senador Fl√°vio Bolsonaro (PL-RJ) no seu perfil no X (antigo Twitter), que evitou críticas ao aliado.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que foi um dos principais apoiadores de Bolsonaro, também j√° trocou acenos públicos com Lula. O movimento foi reforçado após ele ser preterido na renegociação sobre a dívida mineira, em que o Executivo federal escolheu o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como interlocutor. No início de fevereiro, Zema recebeu a primeira visita do petista no estado desde que assumiu a Presid√™ncia pela terceira vez. Em entrevista ao jornal "Estado de Minas", Lula afirmou que não precisa "ser amigo" de Zema, mas que deve ser seu parceiro "pelo povo mineiro".

Adesão
No Acre, Gladson Cameli (PP), outro que esteve com Bolsonaro na campanha, agora defende que seu partido não fique na oposição, j√° que comanda o Ministério do Esporte. Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) minimiza a aproximação:

— Eles (governadores) t√™m que se relacionar com qualquer presidente. E Bolsonaro também tem governadores ao lado. Em algumas regiões, se eleger sem o apoio dele é difícil.

Também apoiador da reeleição de Bolsonaro, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), disse que o di√°logo com o governo Lula "é muito mais presente" do que era durante a administração anterior.

J√° Wilson Lima (União), do Amazonas, recebeu Lula em setembro. No evento, o presidente defendeu Lima de vaias. Na mesma linha, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), fez elogios a Lula no lançamento do Novo PAC em Campo Grande, e Antonio Denarium (PP), de Roraima, j√° defendeu alinhamento com o petista.

Riedel, no entanto, diferentemente da sua correligion√°ria Raquel Lyra, acredita que o PSDB deve permanecer na oposição. Governadora de Pernambuco, ela vem defendendo a independ√™ncia, o que também é um sinal a Lula, j√° que se manteve neutra no segundo turno em 2022 e pertence a uma sigla historicamente advers√°ria do PT.

— Não mudo minhas convicções em função de questões eleitorais. Tenho uma posição de direita, mas com altíssimo grau de responsabilidade social, dada a conjuntura do nosso país. Essa polarização é um desserviço para o país — diz Riedel.

Fonte: O Globo

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