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Moradores da Baixada Santista denunciam execuções na Operação Escudo

Por Redação em 11/02/2024 às 19:56:12
Foto: Reprodução internet

Foto: Reprodução internet

Moradores de bairros da periferia da Baixada Santista denunciaram neste domingo (11) a prĂĄtica de execuções, tortura e abordagens violentas por policiais militares da Operação Escudo contra a população local e egressos do sistema prisional.

Os relatos foram colhidos hoje (11), na Baixada Santista, por uma comitiva formada pela Ouvidoria da PolĂ­cia de São Paulo, Defensoria PĂșblica, e parlamentares, como os deputados estaduais de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) e Mônica Seixas (PSOL).

"A sociedade e os territórios periféricos estão muito assustados, relatando abordagens truculentas, violentas e aleatórias, busca de egressos do sistema prisional, torturas e execuções. O que a gente estĂĄ vendo aqui é um Estado de exceção. O Estado autorizando a sua força policial a executar pessoas sem o devido processo legal, sem mandado judicial, sem chance à ampla defesa", disse a deputada Mônica Seixas à AgĂȘncia Brasil.

A região da Baixada Santista é alvo de uma nova fase da Operação Escudo da polĂ­cia de São Paulo, lançada como reação à morte do policial militar da Rota Samuel Wesley Cosmo, em Santos, no Ășltimo dia 2. Até ontem, 18 civis foram mortos em supostos confrontos contra a polĂ­cia.

"As comunidades por onde a gente passou estão narrando que os policiais falam abertamente nas ameaças que fazem aos jovens usuĂĄrios de drogas, aos aviõezinhos, que [a polĂ­cia] vai vingar o policial morto, que vai deixar filho sem pai, como aconteceu do outro lado, do lado deles. A gente estĂĄ assistindo a uma operação de vingança e barbĂĄrie. A gente ouve aqui relatos absurdos de violĂȘncia e de tortura, é assustador", acrescentou Seixas.

A Secretaria de Segurança PĂșblica (SSP) foi procurada, mas ainda não se manifestou. Em nota enviada nesse sĂĄbado (10), a pasta disse que todos os casos estão sendo apurados e que, desde o inĂ­cio do ano, foram registradas seis mortes de policiais: quatro PMs ativos e um inativo, e um policial civil em serviço.

"Até este sĂĄbado (10), 18 suspeitos que iniciaram confrontos contra as forças de segurança morreram. Todos os casos são rigorosamente investigados pela 3ÂȘ Delegacia de HomicĂ­dios da Deic [Departamento Estadual de Investigações Criminais] de Santos, com o acompanhamento do Ministério PĂșblico e do Poder JudiciĂĄrio", disse a SSP na nota.

O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, publicou ontem (10), nas redes sociais, uma nota manifestando preocupação em relação à atuação da polĂ­cia na Baixada Santista. "O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) vem a pĂșblico externar a preocupação do governo federal diante dos relatos recebidos pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos de que graves violações de direitos humanos tĂȘm ocorrido durante a chamada Operação Escudo", diz o texto.

Na sexta-feira (9), a prefeitura de São Vicente, na Baixada Santista, cancelou o carnaval de rua na cidade em razão da falta de segurança.

Fonte: AgĂȘncia Brasil

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